Completo

Me completo deixando espaços em branco
Nos intervalos de um tempo ininterrupto,
Evoluo fazendo sempre tudo igual
Como células que se repetem para morrer.

Acho que sou um átomo...
Vivo em constante explosão
Colidindo com meus próprios pensamentos
Coligando-me com os fantasmas,
Sombras de mim,
Que me tornam completo.

Meus passos se apagam, se anulam
Sem pegadas, sem registro, sem passado.
Sem passado, sem história, sem futuro.
Sem futuro, sem planos, sem retas.
Sem retas, sem curvas, sem metas.
Sem metas, sem perspectivas, sem superfície.
Sem superfície...

Um buraco, um abismo, um nada.
Que, na falta de tudo
É, por si só, completo.

Rodrigo Dias

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